Uma das coisas que a psicologia intercultural me proporcionou foi a possibilidade de reencontrar, em outro contexto, algo que já fazia parte da minha trajetória profissional: o trabalho em rede.
Quem acompanha minha história profissional sabe que trabalhei durante muitos anos nos serviços públicos do município da minha cidade. Naquele período, o trabalho em rede fazia parte do cotidiano. Diante de situações complexas, compartilhar percepções, construir estratégias e articular diferentes profissionais era fundamental para o cuidado das pessoas atendidas.
Hoje, essa experiência ganhou um novo contorno.
Tive a oportunidade de conversar com um médico na Suíça para compartilhar impressões e discutir um caso clínico.
E fizemos isso
em italiano.
Pode parecer um detalhe, mas, para mim, foi muito significativo.
A língua, que tantas vezes é percebida como uma barreira, tornou-se uma possibilidade de encontro.
A psicologia intercultural, nesse momento, deixou de ser apenas um campo de atuação e se revelou também como uma experiência concreta de conexão entre profissionais, conhecimentos e realidades distintas.
Essa troca pode contribuir para o cuidado da paciente. Mas ela também me transformou, de alguma maneira. Reencontrei algo que já conhecia, o valor do trabalho em rede, agora atravessado por outra língua e por uma distância geográfica que não impediu o diálogo.
As fronteiras existem, mas não precisam ser obstáculos para o cuidado.
Talvez uma das riquezas da psicologia intercultural esteja justamente nisso: reconhecer que podemos construir pontes entre diferentes contextos, sem apagar suas particularidades, e ampliar as possibilidades de escuta, compreensão e cuidado.
Hoje, essa experiência fez bem à paciente.
E fez bem a mim também. ❤️
Alessandra Rocha
Psicóloga e psicanalista







